Usos da escrita na formação docente universitária e o letramento profissional do processador66

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Dono: Rafael Bermudi

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Última Atualiz.: 29-10-2018 14:01

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Esta pesquisa investigou os usos da escrita na formação continuada universitária e sua relação com os usos na esfera de trabalho docente. Inserida no Grupo Letramento do Professor, seu objetivo geral foi analisar práticas de letramento de que participaram professores em eventos acadêmicos de orientação, observando a pertinência dessas práticas em relação ao seu letramento profissional, a partir da perspectiva dos participantes. A investigação, de caráter qualitativo-interpretativista, configura-se como um Estudo de Caso. Os dados provêm de dois anos de pesquisa de campo, de cunho etnográfico, gerados a partir de observação participante em atividades acadêmicas do Programa de Desenvolvimento Educacional do Paraná – PDE/PR, turma 2013-2014. A abordagem sociocultural e etnográfica dos Estudos de Letramento (STREET, 1984, 1993; KLEIMAN, 1995) e a perspectiva dialógica da linguagem (BAKHTIN, 1988; 2003[1979]; VOLOCHINOV, 2004[1929]) compõem o arcabouço teórico-metodológico que orienta esta investigação. Considerando o contexto histórico da formação continuada paranaense e as prescrições governamentais acerca do programa, foram focalizados, na análise das interações entre formadora universitária e professoras-pde, os significados por elas atribuídos à escrita, os papéis sociais desempenhados nos eventos, as relações de poder que os sustentavam e as funções que a escrita exerceu nas práticas formativas. Os resultados apontam que os eventos se caracterizaram majoritariamente como eventos acadêmicos, privilegiando gêneros da esfera acadêmico-científica com o objetivo de inserir as professoras-pde nas práticas de letramento dessa esfera. Há, no entanto, funções distintas e conflitantes atribuídas à escrita nos eventos. Ao passo que todas as participantes demonstraram validá-la como fonte legítima de construção de conhecimentos pertinentes à formação docente, para as professoras-pde, o conhecimento especializado é valorado positivamente ainda que não se sustente nas convenções institucionalizadas que balizam o processo de produção-circulação-recepção dos gêneros acadêmico-científicos. Enquanto para as professoras-pde a escrita, nas práticas acadêmicas, serve principalmente à construção de conhecimentos que atendam a suas necessidades profissionais, para a orientadora, a escrita serve à apropriação e sistematização de conhecimentos da área da linguagem, desde que portados por gêneros acadêmico-científicos ¿ únicos considerados legítimos meios de veiculação desses conhecimentos. Parece estar pressuposto nas práticas analisadas que o desenvolvimento do letramento profissional docente seria consequência espontânea das práticas de letramento acadêmico. Esse pressuposto explicaria o grande investimento da orientadora na familiarização das professoras-pde com as práticas acadêmicas, o que favoreceu a filiação das docentes à teoria acadêmico-científica objeto de estudo nos eventos e, por consequência, facilitou a apropriação de conhecimentos e práticas discursivas acadêmicas. Esse esforço, marcado pela flexibilização da dimensão das relações sociais das interações (ERICKSON, 1982), mostrou-se significativo para promover a socialização secundária (BERGER; LUCKMANN, 2005[1985]) das professoras-pde na esfera universitária. Entretanto, no que tange ao espaço privilegiado pelo programa para o letramento profissional do professor, é possível concluir que pouco se avançou em relação à substituição de práticas tradicionais acadêmicas por práticas que estejam comprometidas com a construção de parâmetros para a ação profissional docente. A construção destes parâmetros, no entanto, não parece ter deixado de acontecer. Ficou a cargo principalmente das professoras-pde, tendo por base os usos que fazem da escrita na formação.

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