Avaliação é discutida no Nono Encontro PAD/PED da Unicamp

Há uma tradição na universidade brasileira de que basta passar conteúdo para ensinar. Mas isso não basta, garantiu a educadora Dirce Pacheco e Zan, docente da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp durante o Enc89899ontro PAD/PED (Programa de Apoio Didático e do Programa de Estágio Docente) no Centro de Convenções da Universidade. A professora afirmou que parte dos problemas, no processo de ensino-aprendizagem, vão para a etapa de avaliação e que se perpetuam graças a uma questão conceitual, sublinhou em sua fala no evento organizado pelas Pró-Reitorias de Graduação (PRG) e de Pós-Graduação (PRPG), e pelo Espaço de Apoio ao Ensino e Aprendizagem (EA)2.

Dirce contou à plateia que fez um exercício de se reunir com bolsistas da sua área. O encontro teve o envolvimento de 10% dos alunos do seu programa. Apesar da pouca representatividade, ela conseguiu perceber que a avaliação é um ponto delicado de conflito, sobretudo na educação básica e na superior, e que é uma área que passa por tensões. Hoje, segundo a docente, tudo é avaliável, principalmente os serviços. “Existe até uma ditadura da avaliação, mas em minha opinião ela ainda precisa ser planejada e mais refletida”, defendeu.

O que avaliar então? Semanticamente, avaliar significa julgar e, conforme Dirce Zan, esse julgamento se dá sob duas perspectivas principais: emissão de um juízo da realidade e de um juízo de valor. “Na elaboração de um texto, quando o avaliamos, ele deve passar por esses dois julgamentos, pois uma coisa é o potencial que ele encerra e outra é o valor que dou a ele e como encaminho a questão para o seu amadurecimento”, expôs.

Outro aspecto lembrado pela educadora é que esse conteúdo não está dissociado da compreensão do processo de ensino-aprendizagem. Os jesuítas, por exemplo, foram os que mais influenciaram o ensino no Brasil com o seu modelo. Para eles, ensinar pressupunha que os professores se esmerassem em passar o conteúdo e que os alunos o memorizassem. Aquele ensino era pautado excessivamente nas regras da prova escrita, que eram ditadas. Os jesuítas tinham uma lista do que deveria ser ensinado e do modo que deveria ser ensinado.

Dessa herança, o aluno era sempre tratado como um possível fraudador. Nas provas então [e são até hoje], os olhos estavam sempre sobre ele. Se tivesse que ir ao sanitário, um funcionário da escola tinha que acompanhá-lo. É o que acontece no exame vestibular. “Mas no processo pedagógico em sala de aula, a ideia não é eliminar ou selecionar os melhores alunos. É, antes, o seu aprendizado”, realçou a professora.

Dirce constatou que a avaliação tem sempre uma esfera de controle que, de outra perspectiva, deveria levar à compreensão de que existe uma significação, a de tratá-los como sujeitos sociais. Aprender, afinal, implica desejo. “Porém n
em sempre existe mobilização espontânea. É preciso motivação. Então ao professor cabe a postura da mediação”, recordou. “Logo, a avaliação ganha um novo sentido: busca a compreensão para que ele seja capaz de dialogar com o que foi ensinado”, afirmou a docente.

O professor Sérgio Leite, coordenador do (EA)2, relatou que neste semestre, ao planejar a nona edição do Encontro PAD/PED, o grupo decidiu centrar os trabalhos na avaliação, já que há várias indicações de que esse tema é um problema para alunos e para professores. O (EA)2 foi instituído para subsidiar as discussões sobre o aprimoramento das condições do ensino de graduação da Universidade e tem contribuído para conhecer melhor a realidade dos cursos e as características do trabalho pedagógico desenvolvido por estudantes e docentes nos diferentes espaços educativos. O objetivo do evento é preparar os alunos de graduação e de pós-graduação para o exercício didático.

Miriam Lorenzetti, funcionária da PRG e a mestranda Marcela Stahl

Pela segunda vez, a mestranda do Cenem de Limeira Marcela Stahl participa do Encontro PAD/PED. Ela considera essa uma das iniciativas mais importantes para os alunos que pretendem lecionar ou fazer carreira acadêmica. “Aqui aprendemos quais devem ser as estratégias a  dentro da sala de aula, como lidar com os alunos, a forma de ensinar, como corrigir as provas e como avaliar. Vim mais interessada em conhecer como deve ser a minha postura e como encarar as dificuldades de ensinar”, esclareceu.  A funcionária administrativa da Pró-Reitoria de Graduação Miriam Lorenzetti contou que foram mais de 800 inscritos, vindos dos campus de Limeira, Piracicaba e predominantemente de Campinas. “Todos vieram buscando aperfeiçoamento”, frisou.

Fonte: ASCOM

 

08/04/2014 – 11:02

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